Arquivo da categoria ‘J.R.R.Tolkien – O Silmarillion

Luta entre Fingolfin e Morgoth   Leave a comment

Fingolfin

“Ora, chegaram notícias a Hithlum de que Dorthonion estava perdida, os filhos de Finarfin, derrotados, e os filhos de Fëanor, expulsos de suas terras. Fingolfin então contemplou (como lhe parecia) a total destruição dos noldor, e a derrota irremediável de todas as suas casas. E, cheio de cólera e desespero, montou em Rochallor, seu cavalo magnífico, e partiu sozinho, sem que ninguém pudesse contê-lo. Passou por Dor-nu-Fauglith como um vento em meio à poeira; e todos os que viram sua investida fugiram assustados, acreditando que o próprio Oromë chegara. Pois ele fora dominado por uma loucura furiosa, tal que seus olhos brilhavam como os olhos dos Valar. Assim, chegou sozinho aos portões de Angband, fez soar sua trompa e golpeou mais uma vez as portas de bronze, desafiando Morgoth a se apresentar para um combate homem a homem. E Morgoth veio. Essa foi a última vez naquelas guerras em que ele atravessou as portas de seu reduto; e o que se diz é que não aceitou o desafio de bom grado.

Pois, embora seu poder fosse maior que tudo o que existe no mundo, ele era o único dos Vaiar que conhecia o medo. Agora, porém, não podia fugir ao desafio diante de seus capitães. Pois as rochas reverberavam com a música aguda da trompa de Fingolfin, sua voz chegava clara e nítida às profundezas de Angband, e Fingolfinchamava Morgoth de covarde e de senhor de escravos. Por isso, Morgoth veio, subindo lentamente de seu trono subterrâneo, e o ruído de seus passos era como trovões no seio da terra. E se apresentou trajando uma armadura negra. Parou diante do Rei como uma torre, com sua coroa de ferro. E seu enorme escudo, negro sem brasão, lançava uma sombra como uma nuvem de tempestade. Fingolfin, entretanto, cintilava dentro da sombra como uma estrela; pois sua malha era recoberta de prata, e seu escudo azul era engastado com cristais. E ele sacou sua espada Ringil, que refulgia como o gelo.

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Morgoth então ergueu bem alto Grond, o Martelo do Mundo Subterrâneo, e o fez baixar como um raio. Fingolfin, porém, deu um salto para o lado, e Grond abriu um tremendo buraco na terra, de onde jorraram fumaça e fogo. Muitas vezes Morgoth tentou esmagá-la, e a cada vez Fingolfin escapava com um salto, como o relâmpago que sai de uma nuvem escura. E fez sete ferimentos em Morgoth; e sete vezes Morgoth deu um grito de agonia, com o que os exércitos de Angband se prostraram no chão, aflitos, e os gritos ecoaram pelas terras do norte.

Mas, por fim, o Rei se cansou, e Morgoth o empurrou para baixo com o escudo. Três vezes, Fingolfin foi esmagado até se ajoelhar, e três vezes ele se levantou portando seu escudo quebrado e seu elmo amassado. Entretanto, a terra estava toda esburacada e rasgada ao seu redor, e ele tropeçou e caiu para trás aos pés deMorgoth. E Morgoth pôs o pé esquerdo sobre o pescoço de Fingolfin; e o peso era o de uma colina desmoronando. Contudo, num golpe final e desesperado,Fingolfin lhe cortou o pé com Ringil, e o sangue jorrou negro e fumegante, enchendo os buracos feitos por Grond. Assim morreu Fingolfin, Rei Supremo dos noldor, o mais altivo e destemido dos Reis élficos de outrora. Os orcs não se vangloriaram desse duelo junto aos portões. Nem os elfos cantam esse feito, pois é por demais profunda sua dor.” (Trecho de Silmarillion)

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THORONDOR (Rei das Águias)   Leave a comment

Águias - Thorondor

“Ora, no exato instante em que Fingon retesou o arco, desceu das alturas Thorondor, Rei das Águias, a mais poderosa de todas as aves que já existiram, cujas asas abertas cobriam mais de sessenta metros, e, detendo a mão de Fingon, ergueu-o e o levou até a face do rochedo em que Maedhros estava pendurado.”

“E Morgoth apanhou o corpo do Rei élfico e o partiu para lançá-la aos lobos. Thorondor, porém, veio apressado de seu ninho em meio aos picos de Crissaegrim, lançou-se sobre Morgoth e lhe feriu o rosto. O farfalhar das asas de Thorondor era como o ruído dos ventos de Manwë. Ele pegou o corpo com suas garras poderosas e, alçando vôo de repente fora do alcance dos dardos dos orcs, levou o Rei embora. E o depositou no topo de uma montanha que, do norte, dava para o vale oculto de Gondolin.” (Trecho de O Silmarillion)

“Nas alturas, acima do reino de Morgoth, voavam Thorondor e seus vassalos e, vendo então a loucura do Lobo e a queda de Beren, desceram velozes, no momento em que as forças de Angband se livravam das teias do sono. As aves então levantaram Lúthien e Beren da terra e os levaram para o alto, para o meio das nuvens.” (Trecho de O Silmarillion)

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RINGIL (Espada de Fingolfin)   2 comments

Espada - Ringil (Espada de Fingolfin)

“Fingolfin, entretanto, cintilava dentro da sombra como uma estrela; pois sua malha era recoberta de prata, e seu escudo azul era engastado com cristais. E ele sacou sua espada Ringil, que refulgia como o gelo.”

“Contudo, num golpe final e desesperado, Fingolfin lhe cortou o pé com Ringil, e o sangue jorrou negro e fumegante, enchendo os buracos feitos por Grond.”

O Silmarillion – J.R.R.Tolkien

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“Valinor” e das “Árvores de Valinor”   Leave a comment

valinor

“Por trás das muralhas das Pelóri, os Valar estabeleceram seu domínio na região chamada Valinor. e ali ficavam suas casas, seus jardins e suas torres. Nesse período seguro, os Valar acumularam enorme quantidade de luz e tudo de mais belo que fora salvo da destruição. E muitas outras coisas ainda mais formosas eles voltaram a criar; e Valinor tornou-se ainda mais bonita que a Terra-média na Primavera de Arda. E Valinor foi abençoada, pois os Imortais ali moravam; e ali nada desbotava nem murchava; não havia mácula alguma em flor ou folha naquela terra; nem nenhuma decomposição ou enfermidade em coisa alguma que fosse viva; pois as próprias pedras e águas eram abençoadas[…]

[…] Naquele momento, os Valar, reunidos para ouvir o canto de Yavanna, estavam sentados, em silêncio, em seus tronos do conselho de Máhanaxar, o Círculo da Lei junto aos portões dourados de Valinor; e Yavanna Kementári cantava diante deles, e eles observavam.

E enquanto olhavam, sobre a colina surgiram dois brotos esguios; e o silêncio envolveu todo o mundo naquela hora, nem havia nenhum outro som que não o canto de Yavanna. Em obediência a seu canto, as árvores jovens cresceram e ganharam beleza e altura; e vieram a florir; e assim surgiram no mundo as Duas Árvores de Valinor. De tudo o que Yavanna criou, são as mais célebres, e em torno de seu destino são tecidas todas as histórias dos Dias Antigos.

Uma tinha folhas verdes-escuras, que na parte de baixo eram como prata brilhante; e de cada uma de suas inúmeras flores caía sem cessar um orvalho de luz prateada; e a terra sob sua copa era manchada pelas sombras de suas folhas esvoaçantes. A outra apresentava folhas de um verde viçoso, como o da faia recém-aberta, orladas de um dourado cintilante. As flores balançavam nos galhos em cachos de um amarelo flamejante, cada um na forma de uma cornucópia brilhante, derramando no chão uma chuva dourada. E da flor daquela árvore, emanavam calor e uma luz esplêndida. Telperion, a primeira, era chamada em Valinor, eSilpion, e Ninquelótë, entre muitos outros nomes; mas Laurelin era a outra, e também Malinalda e Culúrien, entre muitos outros nomes poéticos.” (Trecho do Silmarillion)

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HUAN (Cão de Valinor)   Leave a comment

Cães e Lobos - Huan (Cão de Valinor) 03

“Ora, o líder dos cães de caça que acompanhavam Celegorm era Huan. Ele não havia nascido na Terra-média, mas vinha do Reino Abençoado. Oromë o dera a Celegorm muito tempo antes, em Valinor; e lá ele seguia a trompa de seu dono, antes que o mal chegasse. Huan acompanhou Celegorm no exílio e lhe era fiel. Assim, ele também ficou sujeito à condenação de desgraças imposta aos noldor; e sua sina era encontrar a morte, mas só quando estivesse diante do lobo mais forte que já tivesse pisado no mundo. Foi Huan quem encontrou Lúthien voando como uma sombra surpreendida pela luz do dia sob as árvores, quando Celegorm e Curufin descansavam um pouco, perto dos limites ocidentais de Doriath. Pois nada escapava à visão e ao faro de Huan, nem encantamento nenhum conseguia detê-lo; e ele não dormia, nem de dia nem à noite.

Cães e Lobos - Huan (Cão de Valinor)

“Lúthien costumava falar com Huan em sua solidão, contando-lhe histórias de Beren, que era o amigo de todos os pássaros e bichos que não serviam a Morgoth; e Huan entendia tudo o que era dito. É que Huan compreendia a fala de todos os que tinham voz; mas só lhe era permitido falar com palavras três vezes antes de morrer.”

“Mandou, portanto, um lobo até a ponte. Mas Huan o abateu em silêncio. Mesmo assim, Sauron enviou outros, um a um e um a um Huan os apanhava pela garganta e os matava.”

“Ora, Sauron bem conhecia, como todos naquela terra, o destino que estava determinado para o cão de Valinor, e lhe ocorreu que ele mesmo seria o instrumento desse destino. Assumiu, portanto, a forma de um lobisomem e se fez o mais poderoso que já havia pisado no mundo. E se apresentou para conquistar a passagem da ponte. Foi tal o horror de sua chegada, que Huan saltou de lado. Sauron, então, atacou Lúthien; e ela desmaiou diante da ameaça do espírito cruel em seus olhos e do vapor imundo de seu hálito. Mas, enquanto ele vinha, ela, ao cair, lançou uma dobra de seu manto escuro diante dos olhos do agressor. E ele tropeçou, pois uma sonolência passageira o acometeu. Então Huan atirou-se. Ocorreu assim a luta entre Huan e o Lobo-Sauron. Os uivos e os latidos ecoaram nas colinas, e os vigias nas muralhas das Ered Wethrin do outro lado do vale ouviram tudo de longe e se admiraram.

Contudo, nem feitiço nem encanto, nem garra nem veneno, nem arte demoníaca nem força animal, nada conseguiu derrubar: Huan de Valinor. E ele pegou o adversário pela garganta e o dominou. Sauron, então, mudou de forma, de lobo para serpente, e de monstro para sua forma costumeira, mas não conseguiu se livrar de Huan sem abandonar totalmente seu corpo.

Para conhecer mais sobre Huan e as suas lutas épicas contra Draugluin e Carcharoth, acesse o link:

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Da chegada de Melkor e sua legião à Terra-Média e a construção de Utumno   Leave a comment

“Tulkas então adormeceu, exausto e contente, e Melkor acreditou que a sua hora havia chegado. Transpôs as Muralhas da Noite com sua legião e chegou à Terra-média, a distância, no norte, sem que os Valar dele se apercebessem.”

Balrogs

Melkor iniciou então as escavações e a construção de uma enorme fortaleza nas profundezas da Terra, debaixo das montanhas escuras onde os raios de Iluin eram frios e pálidos. Esse reduto foi chamado Utumno. E, embora os Valar ainda nada soubessem a respeito, mesmo assim a perversidade de Melkor e a influência maléfica de seu ódio emanavam de lá, e a Primavera de Arda foi destruída. Os seres verdes adoeceram e apodreceram, os rios foram obstruídos por algas e lodo; criaram-se pântanos, repelentes e venenosos, criatórios de moscas; as florestas tornaram-se sombrias e perigosas, antros do medo; e as feras se transformaram em monstros de chifre e marfim e tingiram a terra de sangue.” (Trecho do Silmarillion)

Utumno - Fortaleza de Melkor - Udun

Conheça mais sobre o mundo de Tolkien em:

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Os Istari   Leave a comment

Os Istari: Eram um pequeno grupo de magos, de aspecto semelhante ao dos Homens, mas possuindo capacidades físicas e mentais muito maiores. Eram todos imortais. Estes magos eram Maiar enviados pelos Valar na Terceira Era da Terra Média, para ajudar na luta contra Sauron. Eram chamados de Istari (“Sábios”) pelos elfos (em Sindarin: Ithryn). Sendo Maiar, eram da mesma ordem de Sauron, mas não podiam mostrar seu poder total, pois não tinham, como Sauron, descido para Arda em sua forma divina, o que lhes teria deixado tão poderosos quanto aquele. Sua missão era apenas organizar os povos da Terra-média na resistência contra o inimigo. Alatar e Pallando, os Magos Azuis, nem sequer aparecem no Senhor dos Anéis e Radagast, o Castanho tem uma crucial participação, pois é ele que, inocentemente, atrai Gandalf para Orthanc, onde Saruman revela sua traição.

Os mais importantes nos livros são Gandalf, o Cinzento e Saruman, o Branco. Desde Aman há uma certa desavença entre Saruman e Gandalf, muito mais por parte daquele do que por este que, desde o princípio, preferira ficar em Aman, pois “estava cansado e era fraco para enfrentar Sauron“. Diz-se que antes de sua partida de Aman, Gandalf seria o terceiro, ao que Varda teria dito o contrário, que ele iria, mas não como o terceiro (vide O Silmarillion), e disso Saruman se lembrou. Tornou-se ainda do conhecimento de Saruman que Gandalf havia recebido de Círdan, Senhor dos Portos, o Anel do Fogo, Narya, pois viu que ele teria “uma missão difícil, e precisaria do anel para acender os corações na Terra-Média”.

N’O Silmarillion há a dúvida quanto à quantidade exata de istaris que teriam ido à Terra-Média. Dos cinco que entraram nas histórias, dois tiveram papel principal, um terceiro, Radagast, teria se desviado de seu intento, e os outros dois teriam se perdido no leste.

Diz-se que Radagast se perdeu ao se importar mais com os animas e plantas do que com sua missão de ajudar o povo de Arda. O que de certo parece estranho, pois, desde o princípio, ele fora escolhido por Yavanna, que era a “patrona” tanto dos animas quanto das plantas. Ademais, sempre fora grande o desprezo que Saruman tinha por ele. Mesmo em Aman, foi necessário que Yavanna insistisse muito com ele para que pudesse levar consigo Radagast.

Já os Magos Azuis, sabe-se que foram para o Leste com Saruman, mas de lá nunca retornaram. Não se sabe ao certo o que aconteceu com eles, talvez tenham também se perdido em seu intento, ou tenham sido capturados por Sauron e submetidos à vontade dele.

Os cinco eram:

  • Gandalf (conhecido ainda por Mithrandir, Olórin, Tharkûn, Íncanus, o Cinzento ou o Branco)
  • Saruman (Curunír, Curumo, Sharkey ou o Branco)
  • Radagast (Aiwendil ou o Castanho)
  • Magos Azuis (Alatar e Pallando)

istari

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