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As Guerras do Mundo Emerso – Licia Troisi   Leave a comment

Livro 01 – A seita dos Assassinos

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“Um Anel para a todos governar…” Sob a ação em torno desse anel o professor britânico John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973) apresentou para a posteridade a saga de O Senhor dos anéis, clássica trilogia de fantasia, considerada uma das melhores obras do século XX, conquistando gerações de escritores. O mestre inaugurou um gênero que tem em suas fileiras nomes como Frank Herbert, Terry Pratchett, J.K. Rowling e que cresce a cada ano. Entre as mais recentes narrativas, a italiana Licia Troisi estreou com o mundo fantástico de Crônicas do Mundo Emerso, trilogia que usa alguns arquétipos tolkinianos, como um antagonista conquistador de terras e maculador de almas ou os protagonistas,jovens que vivem seus dilemas enquanto passam por uma jornada de aventuras e perigos, mas que também utiliza outros artifícios para prender a atenção de seus leitores, numa linguagem sensível que une o enredo lúdico de ação com a abordagem psicológica do conflito interior de seus dois protagonistas adolescentes.

Continuando a temática, Troisi constrói em sua nova trilogia, Guerras do Mundo Emerso (Le guerre del Mondo Emerso), lançada recentemente no Brasil pela Rocco, uma nova abordagem que utiliza uma protagonista do segmento anti-herói, uma jovem ladra de uma Guilda que apoiou o Tirano da primeira Trilogia, enquanto Nihal e Senar. A aventura ganha mais ação e mistério em relação à primeira trilogia e a testa por que a italiana é a mais popular e bem-sucedida autora de livros de fantasia de seu país. Em A Seita dos Assassinos, se passaram  quarenta anos da batalha que derrubou o Tirano, e o cenário se passa na Terra do Sol, governada por Dohor, um dos Cavaleiros do Dragão que lutou nesse conflito, que lentamente está expandindo sua influencia para as demais terras e subjugando-as. É neste momento que somos apresentado a Dubhe, garota que se tornará uma das melhores assassinas de todas as terras, que vivia numa pequena aldeia da Terra do Sol. Vivendo feliz com a família e os amigos, tudo muda quando tinha oito anos após uma desavença ela mata um de seus colegas de brincadeiras. A assembléia da aldeia condena a criança ao exílio na floresta. Após longos dias de caminhada, é encontrada por um ex-membro do famigerado culto A Guilda, dedicado ao Tirano-deus Áster. Assim a jovem aprenderá o trabalho do assassino, porém ela jurou nunca mais privar um ser humano da vida depois do acidente que a tornou órfã e sem pátria.

Agora com 17 anos mora em Makrat, onde se dedica ao trabalho de ladra. De um momento para o outro, ela passa a ser o centro das atenções na Guilda, e tenta a todo custo descobrir o porquê do interesse que desperta. Algo que levará a uma descoberta que acarretará a um terrível acontecimento. Em meio a sua investigação encontrará aliados nos lugares mais inesperados, mas, quando faz uma descoberta surpreendente, ela terá que decidir se sua vida vale tanto quanto o futuro do Mundo Emerso. A autora escreve, como já analisamos, uma narrativa com sensibilidade, com carência no lado descritivo, principalmente na construção das cenas, bem estereotipadas, mas que se supera pela profundidade psicológica, como a dor de matar um colega, o afastamento forçado dos pais, o sentimento de culpa que lhe acompanha, a solidão, a aflição, a angustia, a busca de identidade num mundo em mudança, entre outras matizes que fazem desta nova série, melhor que a anterior. Como no release da editora diz, o leitor vai ser, mais uma vez, levado para uma terra distante, onde elfos, gnomos, dragões, ninfas e outros seres imaginários convivem, nem sempre em harmonia. Este primeiro volume de Guerras do Mundo Emerso confirma tudo que se esperava da autora, após o sucesso da sua primeira trilogia, Crônicas do Mundo Emerso.

Livro 02 – As Duas Guerreiras

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Continuando a saga a la Tolkien, As Guerras do Mundo Emerso, a italiana Licia Troisi nos presenteia com o segundo episódio da série, As Duas Guerreiras, que traz de volta um dos principais personagens da primeira trilogia, Crônicas do Mundo Emerso, o mago Senar. 

O Mundo Emerso agora está sob o jugo de Dohor, mas os riscos de algo pior do que o esperado, a sombra do Tirano paira, tecendo na escuridão seu retorno. A história ainda gira em torno de Dubhe, que foge da seita com o jovem mago, Lonerin e seguem para além dos limites do Saar, para as Terras Desconhecidas, onde Senar e Nihal foram morar. A garota é forçada a lidar com uma maldição que lentamente suga cada lampejo de sua humanidade e o único que pode salvá-la é Senar, o mais poderoso dos magos, companheiro de Nihal. Na jornada difícil, cheia de perigos, os dois companheiros irão experimentar sentimentos inesperados e lidarão com revelações sobre o passado de cada um. Enquanto isso, Rekla, Guardiã dos Venenos da Guilda de Assassinos, aquela que imprimiu a Dubhe o selo da maldição, está na trilha dos fugitivos, ávida por vingar-se da vergonha daquela fuga. Enviada por Yeshol, sacerdote da Guilda, descobrirá que está em um terreno perigoso, onde a magia não funciona da maneira que eles conhecem. Ao mesmo tempo que Dubhe e Lonerin fogem, o gnomo Ido, supremo general das forças das Terras libertas, procura o filho de Nihal e Senar, Tarik, que após uma briga com o pai, seguiu das Terras Desconhecidas para o Mundo Emerso, onde é motivo para o retorno do Tirano à vida. 

Uma leitura agradável, mas o resultado não é igual ao primeiro volume, A Seita dos Assassinos (leia a resenha do livro aqui), provavelmente devido ao fato de que o romance está no meio, de forma que não temos um recomeço ou um fim legitimo. Troisi, diferentemente não aborda muito a profundidade psicológica de cada um dos personagens, se centrando mais na ação das cenas. Ou seja, arranhou seu verdadeiro potencial, podemos destacar o personagem de Rekla, o caráter mais surpreendente, uma mulher impiedosa e impulsionada por uma fé inabalável, se desenvolve ao longo da história, podendo até a eclipsar os demais personagens. Yeshol é fraco, a seita não é abordada como no primeiro volume, o ritmo da história está mais rápida, algo que Troisi nos já habituou, mas falta algo. É como a narrativa quisesse dar ênfase no passado, dando espaços para novos antagonistas, privando Senar do que já foi e esboçando-o em Lonerin. Apesar desse revés da escritora, As Duas Guerreiras é uma história com um estilo bem definido, consolidado, ágil, mas com esse pequeno porém: deixar para o último volume, Um Novo Reino, o clímax da trilogia.

Livro 03 – Um Novo Reino

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O fim da guerra do Mundo Emerso está muito próximo. E alianças inesperadas podem fazer toda a diferença. Dubhe e Lonerin tiveram sucesso na busca pelo mago Senar, mas, de volta das Terras Desconhecidas, os jovens são novamente enviados em perigosas missões. Em Um novo reino, terceiro volume da série As guerras do Mundo Emerso, Licia Troisi separa seus heróis em missões distintas. Dubhe e Lonerin partem em caminhos diferentes em novas aventuras em busca de uma solução para o fim do conflito. Agora, Dubhe tem como aliada Theana, uma jovem maga que estudou com Lonerin. As duas partem rumo ao palácio real na Terra do Sol para matar o cruel Dohor, o ditador responsável pelo selo de Dubhe e que juntou forças com a Guilda dos Assassinos. Porém, a viagem não é fácil e logo as jovens são capturadas pelas tropas do perverso rei. O destino as leva até Learco, jovem príncipe, filho do ditador, que consente que as duas o acompanhem até a corte como escravas. No caminho para Makrat, capital do império, Dubhe e Learco se tornam próximos demais e um amor proibido começa a surgir, colocando em risco toda a missão das jovens. Enquanto isso, Lonerin parte ao lado de Senar em busca do antigo amuleto de Nihal. O artefato é a última chance dos rebeldes impedirem o renascimento de Áster, o Tirano. Nesse ínterim, o gnomo Ido toma para si a tarefa de proteger San, neto de Nihal e Senar, o menino que Yeshol e Dohor buscam para usar como receptáculo da alma de Áster. Simultaneamente, o Conselho dos Territórios Livres se reúne e decide lançar um decisivo ataque contra a Guilda e o exército de Dohor. E Dubhe vai ser forçada a escolher entre seu novo amor e o futuro de todo o Mundo Emerso. Três missões que se cruzam e determinam o destino do Mundo Emerso. Revelações inesperadas, alianças surpreendentes e muita aventura dão o ritmo a Um novo reino.

Um Novo Reino foi um livro bem razoável que teve seus momentos de tensão. As descrições estavam ótimas, o Mundo Emerso estava ótimo, e pela primeira vez na trilogia tivemos um olhar no Mundo Submerso (isso mesmo, debaixo do mar. Atlântida feelings my man).

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