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Entrevista com Alexandre Callari   Leave a comment

Segue abaixo uma entrevista muito legal que o Nefferson Ribeiro, do site “Meu Mundo Alternativo” (http://meumundo-alternativo.blogspot.com.br/) fez com o Alexandre Callari, escritor de “Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos”.

Confiram a entrevista na íntegra:

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Resgatando um tema atual, os mortos-vivos, na entrevista, você irá encontrar seus futuros projetos, informação sobre os próximos volúmes de Apocalipse Zumbi e um papo cabeça sobre essas criaturas fascinantes, que levantam em busca de carne humana. Estão preparados?

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NR: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou para conseguir lançar “Apocalipse Zumbi”?

Alexandre Callari: Precisei mostrar para a editora que o projeto era vendável. Todos sabem do potencial que vampiros, por exemplo, têm, porém só recentemente zumbis começaram a ganhar a grande mídia. Mas quando estávamos nas conversas preliminares, nem mesmo a adaptação da HQ The Walking Dead havia sido anunciada. Precisei convencê-los de algo que eu, por estar inserido no meio, vislumbrava como possível realidade (e felizmente estava certo). Não escrevi o livro e tentei vender o projeto, fiz o caminho inverso. Escrevi um bom projeto para tentar vender o livro. Nele, procurei mostrar a força que as zombiewalks têm em todo mundo e a quantidade de leitores em potencial. Quando o anúncio da série saiu, e principalmente a adaptação de World War Z, com um ator respeitável como Brad Pitt, ficou clara a força que o gênero tinha. A partir do estudo de mercado que fiz, a editora viu o campo que havia para ser explorado e deu sinal verde. O fato de ser o primeiro livro escrito por um brasileiro também ajudou.
NR: Não é difícil perceber o amor que você tem pelo gênero fantástico, a paixão como você narra os combates e a medida que seus personagens vão fazendo diversas homenagens e citações são exemplos disso. Mas você já teve vontade, ou até planos, de escrever sobre outras criaturas, como lobisomens e vampiros, por exemplo?

AC: Sim. Adoro vampiros e também demônios. Mas temos um expoente sensacional no Brasil, que é André Vianco. Tenho muito respeito pelo trabalho dele e não acho que alguém conseguirá obter sucesso em curto prazo escrevendo sobre vampiros no momento, com exceção da Giulia Moon. São dois autores que já estão firmes no mercado e acho que levará um tempo até que o público aceite outros que sigam essa linha. Fora isso, há centenas, na verdade milhares de temas e opções a serem explorados. Resolvi seguir em outra direção, pelo menos por enquanto. Quem sabe no futuro, eu escreva algo com demônios – tenho um conceito sensacional que irá chacoalhar até o esqueleto da vovó, mas como eu seria massacrado pela Igreja Católica e queimado em praça pública, é melhor segurar a onda.
NR: Hoje em dia, vivemos em uma época onde produções de vampiros tomaram conta dos cinemas e da televisão. Apesar disso, muitos acreditam que a era deles está prestes a acabar e que os zumbis tomarão seus lugares, como exemplo disso, posso citar a série The Walking Dead, que acabou virando fenômeno mundial. Você acha que os vampiros serão devorados pelos zumbis, ou eles têm chance de subsistir em harmonia?

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Descrição de um psicopata!!!   Leave a comment

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“Dujas, mantendo os braços abertos e ainda recitando aquelas frases de efeito, buscou com uma das mãos uma faca que estava guardada na cintura, em suas costas. Uma arma que até então ninguém sabia que ele carregava consigo. Ele apanhou a lâmina lentamente, quase em câmera lenta, enquanto falava, deliciando-se com o momento:

_ Certo dia, domei os demônios que haviam dentro de mim. Neles coloquei uma rédea e um cabresto e cavalguei montado em uma nuvem amarga feita de bílis. A cada um deles eu dei um nome. Á minha ambição chamei ‘Valdívio’!

_ Á minha amargura chamei ‘Hokuokekai’.

_ Ao lobo que há dentro de mim chamei de ‘Uchoa’. E à minha decadência chamei de ‘Ojibe’!

_ Seu sangue em meus dedos encerra sua história e passa a fazer parte da minha.

_ Eu matei meu pai. Eu matei minha mãe. Tudo isso foi antes do fim do mundo. Eu senti as unhas de minha mãe arrancando a pele de meu rosto… Eu abri os círculos do inferno e os trouxe para perto de nós! Você não pode me deter, ninguém mais pode.

_ Ao meu poder, o poder sobre a vida e a morte, eu dei o nome de ‘Uzi’. Ninguém nunca me levou a sério, mas agora ninguém mais dará risada.”

 Apocalipse Zumbi – Os primeiros anos (Alexandre Callari)

 (Essa foi uma das mais perfeitas descrições de um assassino psicopata que já li… Fiquem a vontade para darem seus pitacos).

Vozes!   Leave a comment

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“Vozes! Por todos os lados, elas ecoam! Ecoam e formam uma sinfonia abstrata, um tornado saído de dentro da latrina, uma equação indecifrável que hipnotiza e captura. Fora do tom, em soberbo desafino, cruzando umas com as outras, desafiando as leis da matéria, levando a sonoridade para uma direção jamais imaginada, elas ecoam. E, em seu eco, trazem consigo tormentos, numa colagem de dor e solidão. São ladrões que assaltam a mente, substituindo o que se tinha como certo por um novo hangar de ideias e sensações.”

 Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos (Alexandre Callari)

 (Eu fico impressionado como alguns escritores conseguem descrever sentimentos em palavras, até o ponto em que, nós leitores conseguimos senti-las ao ler, e nesse trecho, Alexandre foi especialmente feliz ao descrever a loucura que o personagem estava passando).

Casa comigo?   Leave a comment

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“_ A verdade é que eu era uma perfeita idiota. Você foi a única coisa boa que veio disso tudo. Você e agora ele! e passou a mão sobre a barriga. José, comovido com a cena, sorriu e falou de forma espontânea, sem pensar no que estava dizendo:
_ Casa comigo?
Maria de um pula.
_ O quê?
Assustando-se com sua própria espontaneidade, ele gaguejou e tentou se corrigir:
_ Quer dizer. Nossa, desculpe, eu não queria… Putz, Maria, não sei o que me deu, eu…
_ Sim!
_Nós não precisamos, quer dizer, eu sou um… Você disse o quê?
_Sim, eu disse sim!
Pela primeira vez em anos, ela chorou de alegria, e os beijos apaixonados expressaram todo o resto que ficou sem ser dito.”

Apocalipse Zumbi – Os primeiros anos (Alexandre Callari)

 

Teríamos nós, seres humanos, que fazer planos o tempo todo?   1 comment

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“Teríamos nós, seres humanos, que fazer planos o tempo todo, preparamos para o amanhã, viver sobre a égide de linhas perfeitamente traçadas, com limites bem definidos? Ou seria a suprema empresa conseguir justamente viver na corda bamba, sem pensar em um equilíbrio maio que não aquele que se obtém dia após dia, um momento por vez?”

 Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos (Alexandre Callari)

 (Eis uma grande pergunta e se alguém souber a resposta, por favor me diga tá bom?)

Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos (Alexandre Callari)   Leave a comment

APOCALIPSE ZUMBI
Sinopse: O caos reina no mundo. A civilização entrou em colapso. As comunicações, a energia elétrica e a vida em sociedade, como a conhecemos, praticamente se extinguiram. Nem toda nossa tecnologia foi capaz de nos proteger e evitar que dois terços da humanidade morressem. Os poucos que sobreviveram estão exaustos e tentam reunir o que ainda resta das suas forças e recursos para se manterem vivos. E, para piorar, eles não estão a sós. Dia e noite, são perseguidos pelos contaminados – sempre à espreita com seus olhos vermelhos, pele pálida, dentes podres e uma terrível sede de sangue e de carne humana. Nesse cenário de terror e desesperança, Manes luta desesperadamente para manter sua comunidade unida. Ela subsiste em uma construção cercada por paredes de concreto chamada Quartel. Porém, quando alguns de seus membros estão em apuros do lado de fora, sendo cruelmente caçados pelos contaminados, Manes parte para resgatá-los. A sua ausência e a chegada do enigmático Dujas abalam severamente o tênue equilíbrio interno do Quartel, colocando em risco a vida de todos. O perigo e o medo tomarão conta deste, que é um dos poucos redutos em que homens e mulheres vivem em “segurança”. Cheio de intrigas, mistério e horror, Apocalipse Zumbi é uma aventura de ficção eletrizante, com muitos elementos de realidade que mexerão com a mente e o coração dos leitores. Alexandre Callari oferece nesta obra o melhor do gênero zumbis e, ao mesmo tempo, cria um mundo à parte, que conta com suas próprias regras e lógica. Bem-vindo ao universo de Apocalipse Zumbi!

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Sensacional! Essa é a palavra para o livro “Apocalipse Zumbi – Os primeiros Anos” de Alexandre Callari. A primeira grande obra literária sobre o universo do apocalipse nas mãos de nossos bons e velhos zumbis. Confesso que comprei o livro e o deixei um pouco de “stand-by” na minha estante, pois achei que era mais uma das obras modinhas da série “The Walking Dead”. Até que dei a ele uma chance e quebrei a cara legal.
Como o próprio nome já diz o livro narra a história de um colapso que ocorre no mundo, onde, de uma hora para outra e sem nenhuma explicação (Pelo menos até agora), mais da metade da população mundial cai morta e da metade que sobrou, a maior parte se torna zumbis, pessoas semi-humanas, com uma raiva incontrolada que vivem para atacar e se alimentar da carne dos que sobreviveram, que lutam da forma que podem para sobreviver e ainda mais para não se tornarem novos zumbis.
Nesse contexto um grupo de sobreviventes, liderados por Manes toma controle de um quartel abandonado e criam ali uma comunidade de mais ou menos 400 pessoas que passam a lidar juntos com esse novo mundo apocalíptico tentando sobreviver como podem. Até que uma missão de resgate dá errada e um visitante nada “bonzinho” quase põe tudo o que a comunidade conquistou no ralo do banheiro.

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Não vou aqui contar detalhes da história e sim tentar escrever porque que essa obra é muito boa, e diferenciada das outras que já li do mesmo gênero.
Primeiramente Alexandre foi muito feliz em detalhar não só o perigo e a luta contra os monstros (Que já estamos carecas de ler e assistir), mas também (ou principalmente) a luta que os sobreviventes travam em lidar e viver em um mundo pós-apocalíptico… É perfeita a maneira como ele descreve o que cada pessoa passou para conseguir sobreviver, os traumas e as sequelas que em cada uma delas ficou, e como esses todos esses traumas trancados em um mesmo lugar pode se tornar uma verdadeira bomba relógio.
Outro item fantástico é como Alexandre não cria um único personagem principal, ele cria alguns personagens que se destacam e que têm cada um a sua relevância e importância na história. Ele separa alguns capítulos especiais para cada um deles e, sem os começa com a vida deles antes do holocausto, com suas vidas cotidianas, e em como tudo isso impacta na forma como eles lidam com o fim do mundo. É demais, pois a gente acaba conhecendo e entendo cada um deles, como cada um age, pensa e vive.
Claro que no livro não poderia deixar de ter dramas, tristezas e alegrias causados por relacionamentos, e o escritor foi mais uma vez muito feliz nessa parte, pois ele relata os relacionamentos se formando, sejam eles de amor ou de amizade de uma maneira magistral, onde nós leitores acabamos vibrando em cada beijo que ocorre, pedido de casamento (A parte que José pede a mão de Maria em casamento é muito show!!!). Durante a leitura nós acompanhamos as amizades se formando, os elos entre as pessoas e como elas, antes fechadas pelo trauma que vivem, começam a abrir o coração uma para as outras e se fortalecendo com isso.

(9) ARTE LOW

Enfim, o livro não é apenas mais um livro sobre zumbis que gostam de comer carne humana, o livro é uma obra prima que descreve a capacidade que nós humanos temos de, após um evento que quase acaba com a humanidade, nos reagrupar, nos adequar e sobreviver da melhor maneira que conseguimos. Enfrentando não só os monstros que estão soltos pelas cidades, mas também lutamos contra outras pessoas desumanas e cruéis e, principalmente, contra os próprios demônios e medos que cada um tem dentro de si.
Vocês perceberam que eu gostei muito do livro e já vou começar a ler o segundo volume. Não sei como a história se desenrolará nos próximos, mas estou muito curioso.
Recomendo o livro para os que gostam do gênero zumbi e também para os que não curtem muito, tenho certeza que vão adorar também.
Detalhe: Junto com o livro vem um CD com a trilha sonora o que é bem legal para entra no clima da história.
Abraços e beijos, Berma! 😉
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