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Resenha: Os Filhos de Húrin – J.R.R.Tolkien   6 comments

Olá Galera do Livros com Pipoca!

Hoje tem resenha!!! E será uma resenha muito especial para mim pois será do livro “OS FILHOS DE HÚRIN“, do autor e mestre J.R.R.Tolkien, que foi publicado pela editora WMF MARTINS FONTES, e eu sou muito fã de Tolkien. Assim já peço desculpas se essa resenha ficar demasiada grande!!!!

OS FILHOS DE HURIN

Vale salientar que as histórias contadas aqui em “Os Filhos de Húrin” foram escritas por J.R.R.Tolkien em diversas versões, formatos e manuscritos, de forma que foi o seu filho Christopher Tolkien que teve a honra de organizar e sintetizar e todas essas histórias afim de colocá-las em uma só obra com uma ordem cronológica dos acontecimentos. Por essa razão fiz questão de colocar a seguir um pequeno trecho das palavras de Christopher na introdução do livro:

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Vale ressaltar também que a história de “Os Filhos de Húrin” já existia no livro “O Silmarillion“, também de J.R.R.Tolkien, em uma forma bem mais resumida, mas sem deixar nenhum ponto importante de fora. Assim, fica bem claro que o livro é mais voltado para aquelas pessoas já iniciadas no mundo de Tolkien sendo assim recomendado que se leia primeiramente “O Silmarillion” para depois ler o “Os Filhos de Húrin“, assim você já conhecerá todo o contexto na qual se passa a história, bem como os devidos lugares e personagens mais importantes e que determinam todo o desfecho da história, como por exemplo Morgoth, Húrin, Melian, Turgon, Thingol, Glaurung, etc. No entanto, por se tratar de uma história menor e fechada, dentro de uma história bem maior, nada impede de alguém ler “Os Filhos de Húrin” sem ter conhecer as histórias anteriores. Mas repito cm toda certeza que aquelas pessoas que já conhecem o contexto irão aproveitar bem melhor a leitura e desfrutar de maneira completa toda a narração e emoção passada pelo autor.

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Sinopse: Muito antes da era de O Senhor dos Anéis, Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, lança uma terrível maldição contra toda a família de Húrin, o homem que tinha ousado desafiá-lo frente a frente. Assim, os destinos de Túrin e de sua irmã Niënor serão tragicamente entrelaçados. A vida breve e apaixonada dos dois irmãos é dominada pelo ódio de Morgoth, que envia seu mais temível servo, Glaurung, poderoso espírito na forma de um enorme dragão de fogo sem asas, numa tentativa de cumprir sua maldição e destruir os filhos de Húrin.
Resenha: Em “Os Filhos de Húrin” é narrada a história de Túrin e a sua irmã Niënor, filhos de Húrin, um dos maiores heróis humanos da primeira era da Terra-média. Não vou me alongar muito na narrativa da história, mas basicamente, tudo começou quando Húrin é capturado por Morgoth durante a Quarta Grande Guerra de Beleriand. Ocorre que nessa ocasião o que mais o Senhor do Escuro deseja é saber a localização da fortaleza secreta de Turgon, o último príncipe dos Noldor (Elfos), assim ele começa a chantagear Húrin para que o mesmo revele essa localização. No entanto, Húrin desafia Morgoth dentro de seus próprios domínios e, apesar de todas as ameaças feitas, não revela a localização da fortaleza de Turgon. Morgoth então, furioso pela afronta do humano, joga sobre ele e toda a sua família uma maldição, afirmando que todo o ódio do seu coração estará perseguindo-os onde quer que eles estejam, trazendo assim a ruína e a desgraça para a sua família. Assim então começa a história de Túrin e Niënor, filhos de Húrin, os seus caminhos e suas lutas para conseguir escapar da maldição e da perseguição de Morgoth.

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Os capítulos começam contando a infância de Túrin e como a vitória de Morgoth na batalha e a captura de seu pai, que é rei da cidade dos homens onde ele vive, afeta a sua vida e da sua mãe Morwen. Os capítulos seguintes vão evoluindo conforme Túrin vai fazendo as suas escolhas, sempre no desejo de se livrar da perseguição de Morgoth, sem se importar com o efeito que essas escolhas causam as pessoas à sua volta e em como elas afetam os lugares por onde ele passa, sempre deixando um rastro se destruição para trás.
Neste caminho Túrin se torna um grande homem, digno de sua descendência, um grande senhor e guerreiro, mas essa má sorte está sempre acompanhando-o em suas decisões, que, por mais que sejam bem intencionadas, acabam trazendo o mal para aqueles que o cercam, inclusive para sua irmã, Niënor, a qual acaba reencontrando após muitos anos.
Em algumas vezes Túrin tenta até mudar de nome a fim de tentar escapar da maldição, como quando ele passou a ser chamado de Turambar (Senhor do próprio destino) na tentativa de viver uma vida pacífica e tranquila. No entanto a destruição sempre foi atrás dele, e foi aí que ocorreu a maior de todas as desgraças de sua vida. Outro destaque da história é também a queda de Nargothrond, onde Túrin teve a participação direta nessa tragédia.

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Com uma narrativa em um tom muito mais sombria e trágica que as suas demais obras, como a trilogia de O Senhor dos Anéis e O Hobbit, Tolkien coloca para nós a discussão a cerca de até que ponto temos o direito de tomar as nossas próprias decisões sem se importar o quanto isso vai custar para outras pessoas e também até que ponto nós, através de nossas escolhas, conseguimos escapar do nosso destino já escrito.
Vale também destacar o incrível trabalho da Editora Martins Fontes em manter na edição traduzia para o português  as incríveis ilustrações da versão original feitas pelo artista Alan Lee, que foi o artista responsável por outras ilustrações de O Hobbit e da trilogia de O Senhor dos Anéis, bem como da arte conceitual dos filmes de Peter Jackson.

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Na minha modesta opinião este é o melhor livro do mestre Tolkien após a trilogia de O Senhor dos Anéis, mais uma obra que vem mostrar a genialidade deste escritor que conseguiu criar não só uma história, mas toda uma lenda repleta de histórias, poemas, contos e tragédias e fazem com que nós fãs nos apaixonemos cada vez mais por tudo isso.
Eu MEGA recomendo esse livro, uma obra prima que não deve faltar em nenhuma estante e lista de leitura!!!
Que já leu comente aqui o que acharam do livro. E os que não leram ainda mas pretendem ler contem depois pra gente com foi.
Espero que gostem tanto quanto eu!!!
Abraços e beijos, Berma! 😉

Paulo Leminski   4 comments

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“Não discuto com o destino, o que pintar eu assino.”

Paulo Leminski

Publicado 12/03/2015 por Berma em Escritores, Paulo Leminski, Poesias

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Dica da Semana: O Dragão de Gelo   Leave a comment

Olá Galera do Livros com Pipoca!!!

A dica de livros dessa semana vai ficar por conta do nosso querido George R.R. Martin. Mas não será um dos livros da famosa série das “Crônicas de Gelo e Fogo”, e sim de um livro para o público infantil mas que mantém a mesma pegada da série só que sem a parte pesada dos livros, “O Dragão de Gelo“.

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Sinopse: O  dragão de gelo era uma criatura lendária e temida, pois nenhum homem jamais havia domado um. Quando sobrevoava o mundo, deixava um rastro de frio desolador e terras congeladas. Mas Adara não tinha medo. Pois Adara era uma criança do inverno, nascida durante o frio mais intenso de que alguém tinha memória. Adara não se lembrava de quando viu o dragão de gelo pela primeira vez. Parecia que a criatura sempre estivera em sua vida, avistada de longe enquanto ela brincava na neve gelada durante muito tempo depois de as outras crianças terem fugido do frio. Aos quatro anos ela o tocou, e aos cinco montou no dorso imenso e gelado do dragão pela primeira vez. Então, aos sete anos, em um dia calmo de verão, dragões de fogo vindos do norte desceram sobre a fazenda pacífica que era o lar de Adara. E apenas uma criança do inverno – e o dragão de gelo que a amava – poderiam salvar o seu mundo da completa destruição.
Essa pergunta vai para quem já leu ou está lendo a saga “As Crônicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin:
Será que George seria também um escritor infantil?
E a resposta é sim!!!  Apesar de ser considerado o “Tolkien” americano em uma versão mais sombria (Aqueles já leram “As Crônicas de Gelo e Fogo” sabem do que estou falando, pois nenhum outro escritor jamais escreveu tanta pornografia, incesto e palavrões em um mesmo livro do jeito que Martin consegue escrever em uma página só).
Martin escreveu o livro “O Dragão de Gelo”, que é um daqueles livros infantis mas que todo adulto gosta de ler, recheado de todos os elementos de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, muitos dragões, inverno intenso e sangue.
A história se passa em um mundo não especifica, mas com algumas pistas que me levaram a crer que é um começo distante de Westeros, pois, apesar das estações do ano da história acontecerem anualmente, menciona que o inverno está cada vez mais prolongado a cada ano. Não li a respeito se o próprio autor escreveu alguma nota dizendo ou negando algo sobre o mundo que se passa o livro, mas essa é uma ideia minha.
Nesta história Martin continuou com o mesmo brilhantismo que encontramos em “As Crônicas de Gelo e Fogo”, mas ele conseguiu retirar toda a parte mais pesada, os conteúdos adultos, resultando em um livro único para o público infantil.
Sem falar da diagramação e ilustração do livro que ficaram ótimas também. Desde a capa até as ilustrações internas, tudo ficou perfeito, o que dá um toque muito especial à obra, deixando a criançada e seus pais totalmente presos à história (Segue abaixo uma amostra dessa ilustração).

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Falando agora da história, em “O Dragão de Gelo” Martin conta a história da garota Adara, uma menina que nasceu em pleno inverno e que, durante se nascimento o inverno acabou matando a sua mãe e se instalando na própria Adara, tornando-a uma garota especial e que se identificava muito com o inverno. Então aparecem os vilões que forçam Adara a fortalecer sua amizade com o dragão de gelo, e é onde a história tem seu ápice.
Não vou aqui contar muita da história para não estragar a surpresa, mas o livro é realmente muito bom. Nesse livro, George R. R. Martin não fala apenas sobre a lenda de um poderoso dragão fala sobre as consequências que a falta de carinho paterno pode trazer a uma criança inocente que acaba carregando nas costas a culpa pela tragédia da família. Mostra como uma amizade pode mudar e aquecer um coração frio e sobre os sacrifícios que nos submetemos para ajudar aqueles com os quais nos importamos.
Enfim, se você tem receio o preconceito com livros infantis escritos por seus escritores do coração, eu digo: Perca esse medo e embarque nessa viagem com Adara e o Dragão de Gelo. Tenho certeza que não vai se arrepender. Ah, não esqueça de se agasalhar heim!!!
Abraços e beijos, Berma! 😉

Resenha da Semana: Causos de Ônibus e outros Acontecimentos   5 comments

Olá Galera do Livros com Pipoca!!!

Essa semana vou postar uma resenha que eu realmente adorei fazer, porque o livro foi muito gostoso de ler!!! É o livro “Causos de Ônibus e outros Acontecimentos” da autora Daniela Kanno Vieira, que também é blogueira literária!!!

CAUSOS DE ONIBUS E OUTROS ACONTECIMENTOS

Sinopse: Tudo o que acontece em sua vida, Daniela registra. Pode ser um sentimento, uma cena tocante, ou uma cena comum. Histórias inventadas também rechearão estas páginas, pois tudo o que vivemos, não deixa de ser um pouco fantasioso. Blogueira, a autora também inclui três textos em formato de crônica, falando diretamente com o leitor, sobre algumas situações um tanto constrangedoras de sua infância.
Resenha: “Causos de Ônibus e outros Acontecimentos” possui um estilo de livro na qual eu não sou muito acostumado a ler, pois é um compilado de contos e crônicas que falam do nosso cotidiano e daquela parte da vida que vivemos ou presenciamos e muitas vezes guardamos para nós mesmos. Por isso confesso que estava com receio da leitura se tornar um pouco arrastada… Mas não foi o que aconteceu, muito pelo contrário, a leitura foi tão gostosa que li o livro tão rápido que nem percebi. Ele é um daqueles livros que carregamos na mochila para podermos ler e reler no nosso dia-a-dia, enquanto estamos indo para o trabalho, na hora do almoço, enquanto estamos parados em alguma fila, no ônibus (Esse deve ser um lugar muito bom para lê-lo – rsrsrsrs), e que nos faz rir, chorar e pensar. Pensar nos nossos valores, pequenas escolhas e decisões que moldam o nosso dia.
Ele é dividido em três partes e cada uma delas possui uma ilustração no seu início e que, junto com a capa deram um charme especial no livro, eu adorei as imagens e a capa, bem moderna e com um ar bem pessoal!!
 OnibusA primeira parte chamada de “Ônibus” são contos reais vividos pela própria autora enquanto andava de ônibus no seu dia-a-dia. Contos muito engraçados  mas com um toque de moral social que ela colocou, que nos fazem pensar nas coisas que falamos e no modo que pensamos. Uma das mais engraçadas é o conto de “São Judas, o professor de natação” que fiquei rindo sozinho no avião e todos me achando louco…

Sao Judas

Um conto que eu me identifiquei bastante e que me fez pensar muito em como são as pessoas ao nosso redor e nas suas escolhas e também nas minhas escolhas foi o conto “Doentes Mentais”, e que a Daniela me perdoe mas vou colocá-lo aqui pois é muito bom:

Doentes Mentais

Tem outros contos muito bons que gostaria de colocar aqui como “Maconha” e “Pobre diabo com frio“, mas estes vou deixar para que você lerem e me contarem depois.

Cotidiano

A segunda parte chama-se “Cotidiano” e são crônicas que contam histórias que todos nós vivemos e passamos. São textos curtos que nos abraçam com tanta sensibilidade que ficamos pensando que eles poderiam ser maiores. Gostei bastante de “Três Marias” e “Futuras Borboletas“, mas o meu destaque vai para “Socorro pede socorro”, que conta a história de uma mulher que vai a um bar pedir ajuda, mas que, ao ser posta a prova pelas pessoas, mostra uma desenvoltura e um senso de humor incrível, daqueles que falta a nós em vários momentos difíceis que passamos.

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Uma Bagunça

E a terceira parte chama-se “Uma Bagunça!” e são pequenas histórias aleatórias que nos fazem rir e pensar. Poesias profundas bem gostosas de ler. Meu destaque vai para os poemas “Vida-poesia” e “Incertezas”, textos “Entregas Especiais” (Esse é demais, vale a pena ler) e “Orientações Médicas”. Mas vou deixar aqui o texto “O Sorvete Cobiçado”, o que eu mais gostei.

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Enfim, daqueles que parece leitura de férias, bem gostoso e fácil de ler, bem divertido e inteligente, com um leve pitada de ironia. Recomendado com certeza.
Links da autora e do livro:
Skoob do livro
http://www.skoob.com.br/livro/405541
Blog da autora:
http://bibliotecarialeitora.wordpress.com/
Canal no Youtube da autora:
https://www.youtube.com/channel/UC7PJsPuahxx6VodhFHIUSyA
Clube de autores : Causos de ônibus e outros acontecimentos
Abraços e beijos, Berma. 😉

Mia Couto – Saudade   Leave a comment

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Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
sói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

SAUDADE (MIA COUTO)

Publicado 02/03/2015 por Berma em Escritores, Mia Couto, Poesias

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Razão de ser – Paulo Leminski   Leave a comment

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Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Publicado 02/03/2015 por Berma em Escritores, Paulo Leminski, Poesias

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Entrevista com a autora Francélia Pereira   1 comment

Olá Galera do Livros com Pipoca!!!

Hoje temos uma entrevista muito legal que a autora Francélia Pereira concedeu para o nosso blog. Francélia (Autora dos livros de sucesso “Habitantes do cosmos” e “Artemísia” (Primeiro e segundo volume da saga), e que já está trabalhando no terceiro volume que deverá sair em breve para nós leitores) conta para nós, com muito carinho e sinceridade, como foi a sua inspiração para escrever os livros, como é a sua rotina para escrever, quais os seus trabalhos para o futuro, etc. Enfim, uma daquelas entrevistas bem gostosas que faz o leitor sentir-se mais pertinho do escritor!!!

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Livros com Pipoca: De onde surgiu a inspiração para escrever a saga “Habitante do Cosmos” e, principalmente, o segundo volume “Artemísia”?
Francélia Pereira: Bem, eu sempre fui fã de ficção científica e fantasia, e isso foi me levando a buscar o “fantástico” também na realidade. Assim surgiu meu interesse por textos antigos, como as obras dos gregos, que hoje chamamos de ficção e mitologia, mas que para os autores era uma forma de retratar o mundo ao seu redor e de contar a História da humanidade. Depois de ler muito, minha mente acabou se expandindo demais, aí veio a necessidade de escrever.
A série, dentre outras coisas, pretende despertar no leitor o interesse pelo passado e, assim, mostrar o quanto esse passado tem a nos ensinar; o que justifica o seu estudo e inspira o respeito por nossos ancestrais.
O Artemísia segue essa linha da série, e nele apresento divindades criadas por várias culturas, mas destaco uma divindade nacional, Îacy. A inspiração do Artemísia foi uma discussão que tive com um amigo meu, há uns sete anos atrás, sobre machismo; e desde então tenho pesquisado sobre o assunto. O Artemísia tem como tema principal a discussão sobre os gêneros, questões que nossa sociedade utiliza pra tentar justificar a superioridade de um gênero sobre o outro, mas tento mostrar que essas questões não passam de ilusões, pois somos todos humanos e, assim, dotados das mesmas capacidades e fraquezas. No fim das contas, o livro chama a atenção do leitor para todo tipo de discriminação e o convida a pensar sobre o assunto.
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Livros com Pipoca: Desde a concepção até a publicação, quais foram as maiores batalhas que você teve que travar para lançar os livros?
Francélia Pereira: O volume 1 foi escrito para um concurso, aqui em BH; então, enquanto esperava pelo resultado, comecei a escrever o Artemísia. A princípio eu não tinha intenção de publicá-lo, só queria mesmo compartilhar a história, então comecei a publicar os episódios em um blog, ainda não conhecia as redes de escritores e leitores. Algumas pessoas começaram a se interessar pela história, e meus amigos me incentivaram a publicar de forma independente. Nessa fase um amigo meu me indicou o site Clube de Autores, e vendi alguns volumes por lá. Logo em seguida, esse mesmo amigo me incentivou a enviar a obra para as editoras, enviei para duas e logo recebi a resposta da Editora Buriti. Com o Artemísia, o processo todo, entre escrever a obra, publicar independente e assinar o contrato com a Editora, não durou mais que três meses. É uma obra pela qual tenho muito carinho.
Logo após assinar o contrato com a editora, saiu o resultado do concurso, e o vol1 ficou liberado. Então substitui o Artemísia pelo Habitantes do Cosmos no Clube de Autores, e também o publiquei no Wattpad; e agora começa a dar bons resultados. Mês passado enviei o original para uma editora, que acredito ter o perfil da obra, mas o prazo de espera é de cinco meses, enquanto isso o livro segue disponível no widdbook e no wattpad, de forma digital, para quem se interessar a conhecer a obra; e quem quiser adquirir o livro físico basta buscar no Clube de Autores.
Uma grande dificuldade é a divulgação, pois é o processo que exige dedicação de tempo e grande investimento financeiro; como estou terminando meu curso e estou no período do estágio obrigatório, ainda disponho de tempo, mas não tenho dinheiro nenhum para investir :p . Mas a maior dificuldade é não ver seu trabalho reconhecido como um “trabalho”; principalmente pela família, pois é um problema que, acredito, a maioria dos artistas sofrem, já que na nossa sociedade só é considerado trabalho aquilo que gera renda; se você não ganha dinheiro com o que faz, as pessoas não respeitam o seu processo criativo, já que o encaram como brincadeira, hobby ou coisa pior. Para se dedicar a um trabalho que envolve cultura e conhecimento, principalmente aqui no Brasil, é necessário se tornar um pouco “altista”, pois se a gente escuta o mundo acaba desanimando e seguindo outros rumos.

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Livros com Pipoca: Como é sua rotina para escrever? Tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?
Francélia Pereira: Comecei a escrever o Habitantes do Cosmos logo após terminar minha monografia, na época, final de 2013, eu ainda era estagiária em uma editora. Eu já estava em um ritmo acelerado de escrita, e esse ritmo segue até hoje. Escrevi o Habitantes do Cosmos em dois meses, o Artemísia em um mês e, entre um e outro, escrevi os poemas e os contos também. O terceiro volume da série Habitantes do Cosmos também já está no início, tem um projeto de HQ que está tomando bastante tempo em pesquisa e na elaboração do texto do roteiro, que estou adorando fazer, e tenho escrito bastante para o blog Pindorama, enfim, enquanto as “Musas” estiverem por perto, minha rotina será essa, de escrever o tempo todo. Já durmo com o celular do lado, pois é muito comum acordar de madrugada com alguma inspiração que, se não for anotada logo, acabará se perdendo pela manhã.
Livros com Pipoca: As histórias “se escrevem” sozinhas ou o você pensa na trama inteira, seguindo depois um esquema previamente traçado?
Francélia Pereira: Como digo aos meus amigos, as histórias são “psicografadas”. Primeiro me vem a inspiração do tema, depois ela ganha vida própria, e, o mais interessante, as informações vão surgindo e se somando na trama.
Com o volume 3 a coisa está acontecendo de forma um pouco diferente. A história já está toda pronta na minha cabeça, e já fiz um esquema de tudo que pretendo desenvolver, mas, até agora, somente a introdução me veio como inspiração. Ainda me faltam algumas informações para desenvolver a história, acredito que ele vá demorar um pouco para ser concluído.
Livros com Pipoca: Como a literatura entrou em sua vida?
Francélia Pereira: A Literatura sempre esteve presente em minha vida. Mesmo antes de aprender a ler, meu pai já comprava pra mim as famosas revistinhas da Turma da Mônica. Eu era fã de “gibi” e ficava louca pra aprender a ler as histórias. Aos sete anos fui alfabetizada, e lembro até hoje da alegria que foi receber minha primeira carteirinha de biblioteca.
Livros com Pipoca: Quais são os escritores que prefere e que te influenciam?
Francélia Pereira: Gosto muito dos textos antigos, de todas as culturas, muitos deles não apresentam autoria e, em alguns casos, como de Homero, a autoria ainda é questionada; mas citando alguns autores, gosto muito do Homero, Hesíodo, Heródoto, Ovídio, dentre vários outros da cultura helênica e do helenismo; dos mais “novos” gosto do Aldous Huxley, Alan Moore, Franz Kafka, Clarice Lispector, Daniel Munduruku, Kaká Werá… Geralmente essa é uma pergunta difícil de responder, porque sempre me sinto injusta com algum autor que acabo esquecendo de citar, rs.
Livros com Pipoca: Quais são seus planos e projetos para o futuro próximo?
Francélia Pereira: Primeiro, me formar; e depois, começar outro curso, pretendo fazer Antropologia. Minha família é totalmente contra, já que esperam ansiosos o dia em que vou me tornar uma pessoa normal e arrumar um emprego digno, mas não tem jeito, meu mundo só faz sentido em meio a textos, pesquisas e produção do conhecimento. É uma pena eu ter nascido pobre, pois meu destino é passar necessidade, já que nunca vou parar de estudar;  e ganhar dinheiro com livros no Brasil é uma utopia.
O Blog agradece de coração o carinho e atenção que a autora Francélia dedicou ao blog e dedica sempre aos seus leitores!!!

 

2 - 1554551_1485828751680224_4434969433801729374_nEstudante de Letras, apaixonada por mitologia, poesia e ficção científica. Francélia nasceu em Belo Horizonte/MG em 1977. Estudou sânscrito em um curso de Extensão oferecido pela Universidade Federal de Minas Gerais; foi quando se apaixonou pela Linguagem e suas diversas manifestações. Atualmente é graduanda em Letras. Sua primeira publicação foi “O texto por trás das palavras“, um livro de poemas. “Habitantes do Cosmos” é seu primeiro romance.
“Em meus textos de ficção, tento apresentar um pouco da cultura ancestral do Brasil ; cultura que se encontra, na maioria das vezes, escondida atrás de obras eruditas ou dentro de nossas matas e florestas. Na poesia, tento apresentar um pouco do universo que me cerca; um pouco do meu mundo interior e dos mundos que observo em minha órbita”
Francélia pode ser encontrada no TWITTERFACEBOOKWATTPAD e WIDBOOK.
Então pessoal, gostaram da entrevista? Fiquem a vontade para dar pitacos e até mesmo fazerem algumas perguntas para a Francélia!!!
Abraços e beijos, Berma.

🙂

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