Poema dos olhos da amada – Vinicius de Moraes   Leave a comment

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Ó minha amada
Que olhos os teus! 
São cais noturnos
Cheios de adeus. 
São docas mansas 
Trilhando luzes
Que brilham longe, 
Longe nos breus…

Ó minha amada
Que olhos os teus! 
Quanto mistério
Nos olhos teus. 
Quantos saveiros, 
Quantos navios, 
Quantos naufrágios, 
Nos olhos teus…

Ó minha amada
Que olhos os teus! 
Se Deus houvera
Fizera-os Deus. 
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.

Ah, minha amada
De olhos ateus. 
Cria a esperança
Nos olhos meus, 
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro 1950)

Publicado 05/01/2015 por Berma em Escritores, Poesias, Vinicius de Moraes

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