03. Os Filhos de Húrin   Leave a comment

Etapa 03

Nesta terceira etapa da leitura das obras de Tolkien em ordem cronológica vamos conhecer a história dos filhos de Húrin, principalmente de Húrin e Nienor.
Como já lemos em “O Silmarillion” na grande batalha de Nirnaeth Arnoediad, na qual os elfos saem derrotados, Turgon consegue fugir para Gondolim, a sua fortaleza escondida, mas só consegue isso com a ajuda de Húrin e Huor, que ficam na retaguarda segurando toda a hoste de Morgoth. E é nessa luta que Huor é morto e Húrin capturado, onde começa a história de “Os Filhos de Húrin”.
O livro começa contando a vida de Túrin um pouco antes de começar a batalha de Nirnaeth Arnoediad, onde ele ainda garoto vivia em Dor-Lómin com seus pais Húrin e Morwen. Vale destacar aqui o personagem de Sador, ou Labadal como era chamado por Túrin, um grande guerreiro que acabou se acidentando na floresta e ficando “perneta”, se tornando assim um trabalhador da cidade de Dor-Lómin. Labadal e Túrin acabam se tornando grandes amigos, onde o sábio ex-guerreiro aconselha-o sempre que o jovem o procura com alguma dúvida:

Turin_and_Labadal

“[…] E ali recebi minha ferida, pois um homem que foge do seu medo pode descobrir que somente tomou um atalho para topar com ele.

Desse modo Sador falava a Túrin enquanto ele crescia, e Túrin começou a fazer muitas perguntas de difícil resposa […]” (Trecho de “Os Filhos de Húrin”)

E Túrin vivia crescia assim com sua família até a partida de seu pai para a grande guerra:

Capturar

“Chegou uma luminosa manhã do mês de Lothron em que Túrin foi despertado por súbitos toques de trompas; e, correndo para as portas, viu no pátio um grande aglomerado de homens a pé e a cavalo e com armaduras completas, como se fossem para a guerra. Lá se encontrava também Húrin, que falava aos homens e dava ordens, pelo que Túrin ficou a saber que partiriam naquele dia para Barad Eithel. Aqueles eram os guardas de Húrin e gente da sua casa, mas todos os homens da sua terra que podiam ser dispensados foram igualmente convocados. Alguns já tinham partido com Huor, o irmão de seu pai, e muitos outros juntar-se-iam na estrada ao senhor de Dor-Lómin e seguiriam atrás da sua bandeira para a grande concentração marcada pelo Rei. 
Morwen despediu-se de Húrin sem lágrimas, e disse:
— Velarei pelo que deixas a meu cargo, tanto o que já existe como o que existirá.
E Húrin respondeu-lhe:
— Adeus, Senhora de Dor-lómin; partimos agora com maior esperança do que alguma vez sentimos. Pensemos que a festa do solstício deste Inverno será mais alegre do que as de todos os anos que já tivemos, seguida por uma Primavera sem medo! Depois ergueu Túrin à altura do seu ombro e gritou aos seus homens: — Que o herdeiro da Casa de Hador veja a luz das vossas espadas! — E o sol cintilou nas cinqüenta lâminas que se ergueram e no pátio ecoou o grito de combate dos Edain do Norte: Lacho calad! Drego morn! Flameja, Luz! Foge, Noite! 
Depois, finalmente, Húrin saltou para a sela, a sua bandeira dourada foi desfraldada e as trompas cantaram de novo na manhã; e deste modo partiu Húrin Thalion para a Nirnaeth Arnoediad. Mas Morwen e Túrin ficaram imóveis nos portões, até ouvirem, muito ao longe, o tênue grito de uma só trombeta ao vento: Húrin transpusera a espalda do monte, para lá do qual já não podia ver a sua casa.” (Trecho de “Os FIlhos de Húrin”)
Então, na batalha de Nirnaeth Arnoediad, enquanto os elfos tinham a esperança de conseguir derrotar Morgoth, o Senhor do Mal mais uma vez consegue, através de Glaurung e da traição dos Homens Orientais, derrotar os elfos e aniquilar todas as forças dos Noldors. Vou inserir aqui duas partes épicas dessa batalha, que é a morte de Fingon e a fuga de Turgon tendo em sua retaguarda Húrin e Huor para segurar as tropas de orcs enviados por Morgoth:

morte de fingon

“A falange da guarda do Rei penetrou nas fileiras dos Orcs e Turgon abriu caminho até junto do irmão. E diz-se que o encontro de Turgon com Húrin, que estava ao lado de Fingon, foi ditoso no meio da batalha. Então, durante algum tempo, as hostes de Angband foram forçadas a recuar e Fingon reatou a sua retirada. Mas, depois de ter rechaçado Maedhros no oriente, Morgoth dispunha agora de grandes forças e, antes de conseguirem chegar ao abrigo dos montes, Fingon e Turgon foram atacados por uma maré de inimigos três vezes superior ao total da força que lhes restava. Gothmog, capitão-mor de Angband, chegara e abriu uma cunha negra entre as hostes élficas, cercando o rei Fingon e repelindo Turgon e Húrin na direção do grande pântano do Serech. Depois voltou-se para Fingon. Foi um embate sinistro. Por fim, Fingon ficou só, com a sua guarda morta em seu redor, e lutou contra Gothmog, até um Balrog vir por trás dele e o envolver numa faixa de aço. Então Gothmog abateu-o com o seu machado negro e uma chama branca irrompeu do elmo de Fingon, quando ele se fendeu. Assim caiu o rei dos Noldor; e, já no chão, foi espancado com clavas e o seu estandarte azul e prata espezinhado no charco do seu sangue.” (Trecho de “Os Filhos de Húrin”)

 

hurin“A batalha estava perdida, mas ainda Húrin, e Huor, e o que restava da Casa de Hador permaneciam firmes com Turgon de Gondolin, e as hostes de Morgoth não conseguiam conquistar as passagens do Sirion. Então, Húrin falou a Turgon, dizendo:
– Ide agora, Senhor, enquanto é tempo! Pois sois o último da Casa de Fingolfin e em vós reside a derradeira esperança dos Eldar. Enquanto Gondolin existir, Morgoth continuar á a conhecer o medo no seu coração.
– Agora Gondolin não pode permanecer oculta por muito tempo e, se for descoberta, cairá – respondeu Turgon.
– No entanto, se resistir durante um pouco mais, da vossa casa vir á a esperança para Elfos e Homens – disse Huor. – Uma coisa vos digo, Senhor, com os olhos da morte: embora nos separemos aqui para sempre, e eu não volte a ver as vossas muralhas brancas, de vós e de mim uma nova estrela nascerá. Adeus!
Maeglin, filho da irmã de Turgon, que se encontrava perto, ouviu estas palavras e não as esqueceu.
Então Turgon acatou o conselho de Húrin e Huor e deu ordens para que a sua hoste
iniciasse a retirada para as passagens do Sirion, e os seus capit ães Ecthelion e Glorfindel guardaram os flancos à direita e à esquerda para que ninguém do inimigo pudesse ultrapassá-los, porque a única estrada daquela região era estreita e passava perto da margem ocidental da crescente corrente do Sirion. Mas os Homens de Dor-lómin guardavam a retaguarda, como Húrin e Huor queriam; pois, nos seus corações, não desejavam sair das Terras Setentrionais e, se não conseguissem regressar vitoriosos às suas casas, ali permaneceriam até ao fim. Foi deste modo que Turgon abriu caminho para sul, até que, chegado atrás da guarda de Húrin e Huor, passou o Sirion e escapou. Desapareceu então nas montanhas e ficou oculto dos olhos de Morgoth. Mas os irmãos reuniram à sua volta o que restava dos homens fortes da Casa de Hador e, passo a passo, recuaram até ficarem atrás do Pântano de Serech e terem a corrente do Rivil à sua frente. Aí permaneceram e não avançaram mais.
Então todas as hostes de Angband se precipitaram para eles, cortaram a corrente com os seus mortos e cercaram o remanescente de Hithlum como uma maré alta à volta de um rochedo. Aí, quando o Sol se dirigia para oeste e as sombras da Ered Wethrin escureciam, Huor caiu, trespassado por uma seta envenenada num olho, e todos os valentes homens de Hador tombaram chacinados à sua volta. Os Orcs deceparam-lhes as cabeças e empilharam-nas como um monte de ouro no Sol poente.
Por fim, Húrin ficou sozinho. Então largou o escudo, pegou no machado de um capitão orc e brandiu-o com as duas mãos. Canta-se que o machado fumegou no sangue negro da guarda troll de Gothmog até ela definhar e que, cada vez que o brandia, Húrin gritava bem alto: “Aure entuluva! O dia voltará” Setenta vezes soltou ele esse grito, mas, por fim, apanharam-no vivo por ordem de Morgoth, que pensava causar-lhe assim mais mal do que com a morte. Por isso, os Orcs agarraram Húrin com as mãos, que continuaram agarradas a ele apesar de lhes decepar os braços; e o seu número não parava de ser renovado, até que Húrin caiu enterrado debaixo deles. Então Gothmog amarrou-o e arrastou-o para Angband, escarnecendo-o. (Trecho de “Os Filhos de Húrin”)
Com isso então Húrin é capturado por Morgoth que tenta fazer com que ele revele a localização de Gondolin, a fortaleza secreta de Turgon, pois em seu coração o que Morgoth mais queria era destruir e matar o último rei dos Noldor. Mas Húrin é implacável e não revela nada a Morgoth, desafiando o Senhor da Escuridão o tempo todo, fazendo com que todo o ódio de Morgoth fosse jogado sobre ele e sua família.
Assim, Morgoth coloca Húrin em um trono de pedra no alto das Thangorodrim e lança sobre ele uma maldição, onde Húrin, dali em diante iria acompanhar toda a maldade que Morgoth lançaria sobre a Terra-média com os próprios olhos e ouvidos do Senhor das Trevas, tudo repleto de mentiras e traições. Morgoth jurou também a Húrin que iria perseguir toda a sua família, não importasse o local para onde eles fossem, o seu ódio estaria sempre apontando para eles.

Alan_Lee_-_Hurin_in_his_chair

“Depois levou Húrin para o Haudh-en-Nirnaeth, que tinha sido recentemente erigido e fedia a morte. E Morgoth colocou Húrin no seu topo e disse-lhe que olhasse para oeste, na direção de Hithlum, e pensasse na mulher, no filho e nos outros familiares.
– Pois eles vivem agora no meu reino – declarou – e dependem da minha clemência.
– Clemência é coisa que não tens – respondeu Húrin. – Mas não chegarás a Turgon através deles, porque desconhecem os segredos dele.
Então a ira dominou Morgoth, que disse:
– E todavia posso chegar a ti e a toda a tua amaldi çoada casa, e dobrar-se-ão à minha vontade, ainda que sejam todos feitos de aço.
Pegou numa longa espada que se encontrava à mão e quebrou-a perante os olhos de Húrin, cuja face foi atingida por um fragmento; mas ele nem estremeceu. Então, Morgoth, estendendo o longo braço na direção de Dor-lómin, amaldiçoou Húrin e Morwen e a sua descendência, dizendo:
– Vê! A sombra do meu pensamento abater-se-á sobre eles aonde quer que vão e o meu ódio persegui-los-á até aos confins do mundo.
Mas Húrin rebateu:
– Falas em vão. Pois não podes vê-los nem dominá-los de longe; não enquanto mantiveres essa forma e continuares a desejar ser um rei visível na Terra.
Então Morgoth virou-se para Húrin e disse:
– Tolo, insignificante entre os Homens, que já de si são os menos importantes entre todos os que falam! Acaso viste os Valar ou mediste o poder de Manwë e Varda? Conheces o alcance do seu pensamento ? Ou pensas, porventura, que o pensamento deles está em ti e podem proteger-te de longe?
– Não sei – respondeu Húrin. – Mas assim poderia acontecer, se fosse essa a sua vontade. Pois o Grande Rei não será destronado enquanto Arda perdurar.
– Tu o dizes – replicou Morgoth. – Eu sou o Grande Rei: Melkor, o primeiro e o mais poderoso de todos os Valar, que existia antes do mundo e o fez. A sombra do meu des ígnio pesa sobre Arda e tudo quanto nela há se verga, lenta e seguramente, à minha vontade. Mas sobre todos a quem amas o meu pensamento pesará como uma nuvem de Condenação e mergulhálos-á nas trevas e no desespero. Aonde quer que vão, o mal surgirá. Quando quer que falem, as suas palavras transmitir ão maus conselhos. O que quer que façam, voltar-se-á contra eles. Morrerão sem esperança, amaldiçoando tanto a vida como a morte.
Mas Húrin respondeu:
– Esqueces com quem estás a falar? As coisas que dizes já as disseste há muito tempo aos nossos pais, mas nós escapamos da tua sombra. E agora sabemos a teu respeito, pois olhamos para os rostos que viram a Luz e ouvimos as vozes que falaram com Manwë. Antes de Arda existias, mas outros também existiam e não foste tu que a fizeste. Nem és o mais poderoso de todos, pois consumiste a tua força em ti mesmo e desperdi çaste-a no teu próprio vazio. Agora não és mais do que um escravo fugido dos Valar, cujas correntes ainda te esperam.
– Aprendeste de cor as lições dos teus mestres – disse Morgoth. – Mas essa tradição infantil não te ajudará, agora que todos eles debandaram.
– Uma última coisa te direi então, escravo Morgoth – continuou -, e não é ditada pela tradição dos Eldar, mas chegou ao meu cora ção nesta hora. Não és o senhor dos Homens, e nunca serás, mesmo que toda a Arda e Menel fiquem sob o teu domínio. Para além dos Círculos do Mundo não perseguirás aqueles que te renegam.
– Para além dos Círculos do Mundo não os perseguirei – respondeu Morgoth. – Pois para além dos Círculos do Mundo só há o Nada. Mas dentro deles não me escaparão, até no Nada entrarem.
– Mentes – disse Húrin.
– Tu verás e confessarás que não minto – afirmou Morgoth. E, levando Húrin de novo para Angband, sentou-o numa cadeira de pedra num lugar alto das Thangorodrim, de onde ele podia ver de longe a terra de Hithlum, a ocidente, e as terras de Beleriand, ao sul. Aí ficou aprisionado pelo poder de Morgoth, o qual, de pé ao lado dele, o amaldiçoou de novo e sobre ele lançou o seu poder, para que não pudesse sair daquele lugar, nem morrer, enquanto Morgoth o não libertasse.
– Fica aí sentado – disse Morgoth -, e olha para as terras onde o mal e o desespero se abaterão sobre aqueles que me entregaste. Pois ousaste zombar de mim e questionaste o poder de Melkor, Senhor dos destinos de Arda. Doravante, com os meus olhos verás e com os meus ouvidos ouvirás, e nada te será ocultado.” (Trecho de “Os Filhos de Húrin”)

sdsa

 

 

publicado em 10/03/2015 por Berma

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: